Estudo aponta uso de perfis criados por IA para influenciar eleitores nas redes

Levantamento de entidade privada analisou mais de 33 mil contas ligadas a partidos e candidatos e classificou 24% como prováveis perfis automatizados por IA.

Um levantamento de uma entidade privada que acompanha o uso de inteligência artificial nas redes sociais identificou presença relevante de perfis possivelmente automatizados no debate político brasileiro.

Segundo reportagem da Veja, o Instituto Brasileiro de Regulamentação da Inteligência Artificial analisou mais de 33 mil contas ligadas a partidos e candidatos e classificou 24% delas como “prováveis” perfis criados ou operados com uso de IA.

Como interpretar o número: o percentual de 24% é resultado de um levantamento de uma entidade privada. Não é dado oficial do TSE e a classificação como “provável” indica uma estimativa produzida pela metodologia do estudo, não uma identificação individual definitiva.

Perfis simulam interação humana

O estudo descreve os chamados “neurobots” como personagens digitais que podem simular conversas e comportamento humano para participar de discussões políticas, incentivar apoio ou estimular rejeição a candidatos.

De acordo com Marcelo Senise, representante do instituto citado pela Veja, esses perfis podem ser produzidos por terceiros e não significam, por si só, que candidatos ou partidos estejam financiando sua criação.

Levantamento analisou contas associadas a diferentes grupos

A pesquisa encontrou percentuais diferentes entre conjuntos de contas relacionadas a partidos e candidaturas. O próprio responsável pelo levantamento ressalta que a associação de um perfil a determinado grupo político não comprova contratação ou coordenação por parte desse grupo.

A preocupação dos pesquisadores é com a possibilidade de interações artificiais criarem uma percepção distorcida sobre apoio, rejeição ou mobilização nas redes.

TSE regulamenta uso de inteligência artificial

O uso de IA nas eleições de 2026 já é objeto de regras da Justiça Eleitoral. Entre as preocupações estão conteúdos sintéticos de alto realismo, manipulação de imagem e voz e formas de automação capazes de confundir o eleitor.

O desafio apontado pelo estudo é diferenciar participação política legítima de operações automatizadas que tentem se passar por cidadãos reais.

Sem acusação automática: a presença estimada de perfis automatizados em torno de uma candidatura ou partido não prova que a campanha tenha criado, contratado ou coordenado essas contas.