Augusto Cury deixa cinco empresas fora de declaração ao TSE

Candidato do Avante declarou patrimônio de R$ 242,2 milhões; três negócios nos Estados Unidos e dois no Brasil não constam na relação apresentada à Justiça Eleitoral.

O escritor e candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) deixou de informar cinco empresas na declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Estadão. Três dos negócios estão registrados na Flórida, nos Estados Unidos, e outros dois no Brasil.

Cury declarou patrimônio de aproximadamente R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral. Sua equipe afirma que os bens foram adquiridos de forma lícita e que eventuais inconsistências na documentação serão corrigidas conforme a legislação.

O ponto central: as reportagens apontam a ausência de cinco participações empresariais na relação patrimonial apresentada ao TSE. A existência de uma omissão não permite concluir, por si só, que houve ocultação criminosa de patrimônio.

Quais empresas ficaram fora da declaração?

Na Flórida, os negócios apontados pela investigação jornalística são Cury Academia Comportamental, Contemplare Investments e Free Mind Publish. Os registros estaduais identificam Cury como membro autorizado dessas empresas, mas não informam o percentual de participação nem o capital investido por ele.

No Brasil, as empresas mencionadas são Contemplare, ligada a atividades imobiliárias e agrícolas, e Academia de Pensar e Brincar, na qual o escritor aparece como sócio-administrador. Ambas estão sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

A declaração entregue ao TSE já incluía participações em sete empresas. A questão levantada pelas reportagens é a ausência de outros registros empresariais na relação patrimonial, e não a inexistência de bens declarados pelo candidato.

Campanha diz que patrimônio é lícito

Em nota divulgada pelos veículos, a equipe de Cury afirmou que as participações não informadas representam uma parcela inexpressiva de seu patrimônio. A campanha também declarou que eventuais inconsistências pontuais serão corrigidas na forma da lei.

Segundo o Estadão, até a manhã de domingo (6), o pedido de retificação ainda não havia sido apresentado. Essa informação se refere ao momento da publicação da reportagem e pode ser alterada por novos registros da Justiça Eleitoral.

O que ainda precisa ser esclarecido: o valor das participações não informadas, a natureza dos vínculos empresariais e a eventual apresentação de uma declaração retificada. As reportagens não demonstram, por si só, a prática de um crime.

Declaração de bens é obrigatória

A legislação eleitoral exige que o pedido de registro de candidatura seja acompanhado de uma declaração de bens assinada pelo candidato. O documento tem a finalidade de dar transparência à situação patrimonial de quem disputa um cargo público.

A jurisprudência do TSE admite a retificação de declarações quando as correções permitem ao eleitor conhecer adequadamente o patrimônio do candidato. Isso não significa que toda omissão seja automaticamente irrelevante, já que as circunstâncias de cada caso precisam ser analisadas.

No caso de Augusto Cury, o próximo ponto a acompanhar é se a campanha apresentará uma declaração retificada e quais esclarecimentos serão oferecidos sobre as cinco empresas identificadas pelas reportagens.