USA Rare Earth conclui compra da Serra Verde e amplia presença dos EUA nas terras raras do Brasil

Mineradora americana assume a única produtora comercial de terras raras do país; governo dos EUA já havia destinado US$ 750 milhões a uma estrutura para garantir acesso à produção.

A americana USA Rare Earth concluiu a aquisição da Serra Verde, empresa que opera a mina Pela Ema, em Minaçu (GO), e é hoje a única produtora em escala comercial de terras raras no Brasil.

O fechamento da operação ocorreu na quinta-feira (3) e foi anunciado nesta sexta (4). Com a transação, a Serra Verde passa a integrar a estratégia da USA Rare Earth de construir uma cadeia de terras raras fora da China, reunindo mineração, processamento e produção de materiais magnéticos.

Governo dos EUA já havia colocado US$ 750 milhões na estrutura

O movimento empresarial vem acompanhado de apoio direto do governo americano. Em 24 de agosto, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou um investimento de US$ 750 milhões em uma estrutura financeira criada para garantir a compra de parte da produção da Serra Verde.

Essa estrutura soma US$ 1,55 bilhão e inclui ainda um compromisso de compra de US$ 300 milhões da Defense Logistics Agency e US$ 500 milhões de financiamento bancário.

O ponto central: os US$ 750 milhões não são o preço pago pela aquisição da Serra Verde. O dinheiro faz parte de uma estrutura de financiamento e compra futura da produção, desenhada para garantir acesso americano a terras raras estratégicas.

Por que a Serra Verde é estratégica

A mina goiana produz elementos usados em ímãs de alto desempenho, entre eles disprósio, térbio, neodímio e praseodímio. Esses materiais são relevantes para veículos elétricos, energia, eletrônicos e equipamentos de defesa.

O próprio governo dos EUA afirmou que o acordo busca reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China. A USA Rare Earth diz que, após a integração, terá uma plataforma que vai da mina à fabricação de ímãs permanentes fora da Ásia.

Negócio acontece em meio à disputa por minerais críticos

A conclusão da compra ocorre um dia depois de o Senado brasileiro aprovar um novo marco para minerais críticos e terras raras, com incentivos à industrialização local e maior controle sobre investimentos estrangeiros no setor.

O avanço americano sobre a Serra Verde, portanto, tem dimensão econômica e geopolítica. Mas a operação não transfere as reservas brasileiras aos Estados Unidos: ela coloca uma produtora instalada em Goiás sob controle de uma companhia americana e conecta parte de sua produção a contratos voltados à segurança de suprimento dos EUA.