CNI alerta para riscos da crise institucional e cobra responsabilidade das autoridades

Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira (9), Ricardo Alban pede transparência, equilíbrio e preservação da confiança nas instituições.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira, 9 de setembro, um posicionamento em que manifesta preocupação com a sucessão de crises institucionais em Brasília. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu responsabilidade das autoridades, transparência nos esclarecimentos e atenção aos efeitos das disputas sobre a economia brasileira.

O documento, intitulado “Não vamos desistir do Brasil”, foi publicado no portal oficial da CNI e repercutido pela VEJA. A entidade considera que a confiança da população nas instituições é fundamental para a democracia e que a instabilidade pode prejudicar o desenvolvimento nacional.

Equilíbrio e transparência

A CNI pede que as decisões das autoridades sejam conduzidas de maneira imparcial, com respeito ao direito de defesa e sem interferência político-partidária. O posicionamento também defende discussões públicas e esclarecimentos sobre os fatos que alimentam a crise.

O texto não apresenta uma proposta de afastamento de ministros nem anuncia apoio a qualquer candidatura. Seu foco é cobrar dos poderes constituídos uma resposta institucional responsável, capaz de preservar o funcionamento do Estado e a confiança da sociedade.

A manifestação ocorre em meio às divergências no Supremo Tribunal Federal sobre o afastamento da direção da Polícia Federal e às apurações relacionadas ao caso Banco Master. A CNI, porém, não limita seu alerta a um único processo: trata a instabilidade política e institucional como um risco mais amplo para o país.

Por que a indústria relaciona a crise à economia

A preocupação do setor produtivo está ligada à previsibilidade necessária para decisões de investimento. Empresas precisam avaliar custos, regras, crédito e perspectivas de demanda antes de ampliar fábricas, contratar trabalhadores ou iniciar novos projetos. A insegurança jurídica pode aumentar a percepção de risco, ainda que seus efeitos variem conforme o setor e a duração das crises.

A entidade também destaca a importância de competitividade, produtividade e geração de empregos. Na avaliação da CNI, a agenda econômica não deve ficar paralisada por disputas políticas ou eleitorais.

Entre as prioridades mencionadas estão metas fiscais e políticas econômicas estruturantes capazes de favorecer investimentos e crescimento. Essas são propostas da entidade, não medidas aprovadas pelo governo ou pelo Congresso.

Um chamado ao diálogo

O posicionamento convoca poderes públicos, empresários e trabalhadores a buscar consenso em temas estratégicos. A defesa de diálogo não elimina a necessidade de apurar possíveis irregularidades, responsabilizar quem eventualmente tenha cometido infrações e assegurar o devido processo legal.

O debate sobre previsibilidade também aparece em outras frentes econômicas acompanhadas pelo HD Fato, como as mudanças no comércio exterior, na indústria e nas condições de financiamento. O impacto concreto da crise sobre investimentos e empregos dependerá de indicadores e decisões futuras, não podendo ser medido apenas pela manifestação da CNI.

Fontes e documentos