Procura por crédito cresce 47,75% em julho, mas contratação fica em 3,41%

Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra alta nas consultas financeiras e aponta restrições ativas em 38,48% dos consumidores consultados.

A procura por crédito no Brasil aumentou 47,75% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil divulgado pela VEJA nesta quarta-feira, 9 de setembro. Apesar da alta das consultas, apenas 3,41% dos consumidores consultados contrataram algum serviço de crédito no período.

O resultado chama atenção para a distância entre a busca por financiamento e a contratação efetiva. No entanto, os dois indicadores não devem ser tratados como uma taxa simples de aprovação: a pesquisa não informa se todos os demais consumidores tiveram pedidos recusados, desistiram ou estavam apenas pesquisando condições.

O que medem as consultas

O volume de consultas realizadas por instituições financeiras aumentou 8,37% de junho para julho. Esse indicador registra verificações de dados utilizadas na análise de solicitações de empréstimos, financiamentos e outros produtos. Uma pessoa pode passar por mais de uma consulta, e a consulta não equivale necessariamente a um contrato concluído.

Entre aqueles que contrataram crédito, 89,34% recorreram a empréstimos e 8,79% a financiamentos, de acordo com o levantamento. Os percentuais descrevem a composição das contratações observadas e não permitem concluir, isoladamente, quais modalidades são mais adequadas a cada consumidor.

Restrições financeiras e acesso

A pesquisa aponta que 38,48% dos consumidores consultados tinham alguma restrição financeira ativa no momento da análise. Registros de inadimplência podem dificultar a obtenção de crédito, influenciar as condições oferecidas e levar instituições a exigir garantias adicionais, conforme suas políticas de risco.

O presidente da CNDL, José César da Costa, relacionou o acesso ao crédito à capacidade das famílias de realizar projetos e movimentar a economia, mas ressaltou o peso das restrições financeiras. A manifestação foi divulgada na reportagem da VEJA.

O dado não significa que todos os consumidores com restrição estejam impossibilitados de contratar. A concessão depende de critérios de cada instituição, do perfil do solicitante e das características do produto.

Como interpretar o cenário

O avanço das consultas pode refletir diferentes necessidades, como reorganização do orçamento, aquisição de bens ou busca de condições para novos financiamentos. O levantamento, por si só, não permite atribuir o crescimento a uma única causa. Também não demonstra que o crédito contratado tenha aumentado na mesma proporção.

Para compreender a evolução do mercado, é necessário acompanhar outros indicadores, como taxas de juros, inadimplência, saldo das operações e renda das famílias. A relação entre esses fatores pode afetar tanto a demanda quanto a disposição das instituições em conceder recursos.

A cobertura do HD Fato sobre economia e condições de financiamento acompanha esses dados dentro de um contexto mais amplo, evitando confundir maior procura com melhora automática do acesso.

Fontes e documentos