Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), após assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) aprovarem a paralisação em diferentes estados. O movimento ocorre em meio ao impasse sobre o Acordo Coletivo de Trabalho e às discussões sobre o plano de saúde da categoria.
Plano de saúde está no centro do impasse
Um dos principais pontos de divergência é o modelo de assistência à saúde dos empregados. A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) afirma que a proposta apresentada pela direção da estatal não ofereceu garantias suficientes sobre a manutenção do atual papel dos Correios no custeio do benefício.
Antes da greve, a própria federação reconheceu avanços na proposta salarial. O texto colocado em negociação previa reajuste de 100% do INPC nos salários e em benefícios em 2026, com nova correção pelo índice em 2027. A categoria, porém, manteve objeções a pontos relacionados ao plano de saúde e a outras condições do acordo.
As assembleias de quinta-feira rejeitaram a proposta e aprovaram a greve por tempo indeterminado. Segundo a Findect, o resultado se repetiu em diferentes bases sindicais pelo país.
Correios recorreram à mediação do TST
As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 já vinham enfrentando dificuldades desde agosto. Os Correios solicitaram a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) depois que uma proposta anterior foi rejeitada pelos empregados.
Em comunicado de 27 de agosto, a estatal afirmou que buscava conciliar a sustentabilidade econômico-financeira da empresa com a manutenção de direitos trabalhistas e a continuidade dos serviços. Naquele momento, a direção informou que havia proposto preservar dezenas de cláusulas do acordo vigente.
Novas rodadas de negociação ocorreram no TST, mas não houve consenso suficiente para evitar a paralisação.
Greve ocorre em meio à crise financeira da estatal
A paralisação acontece enquanto os Correios enfrentam dificuldades financeiras e executam um plano de reestruturação. A empresa vem discutindo medidas para reduzir custos, reorganizar operações e obter novas fontes de financiamento.
Para os sindicatos, parte dessas mudanças pode afetar direitos e condições de trabalho. A direção da estatal, por outro lado, sustenta que ajustes são necessários para recuperar a sustentabilidade financeira e preservar a operação nacional.
Esse cenário torna a negociação mais complexa: trabalhadores buscam preservar benefícios e recompor perdas salariais, enquanto a administração afirma ter limitações financeiras para assumir novos compromissos.
Entregas e atendimento podem ser afetados
Os primeiros efeitos da greve devem depender da adesão dos trabalhadores em centros de distribuição, unidades de tratamento, agências e equipes de entrega. Até o início do movimento, não havia um balanço nacional consolidado sobre quantas unidades seriam afetadas.
Consumidores que aguardam encomendas devem acompanhar o rastreamento dos objetos e os comunicados oficiais dos Correios. Prazos podem sofrer alterações em localidades com maior adesão à paralisação.
Como as negociações continuam sujeitas a mediação e eventual decisão da Justiça do Trabalho, o movimento pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.



