Mensagens citadas em uma investigação da Polícia Federal associam Daniel Vorcaro a uma empresa do setor de apostas e mencionam sua participação na SAF do Atlético-MG. A conversa, porém, não comprova a propriedade da empresa citada e também traz um percentual diferente daquele registrado publicamente na estrutura societária do clube.
Conversa aparece em representação da Polícia Federal
O diálogo citado pelos investigadores envolve um policial federal aposentado apontado em outra apuração. Na conversa, ele atribui a Vorcaro a propriedade de uma empresa do setor de apostas e usa a participação no Atlético-MG como referência para identificar o empresário.
Essa fala é uma declaração de um dos interlocutores, não uma comprovação societária. Até o momento, não há documentação pública apresentada nessa apuração que demonstre que Vorcaro tenha sido formalmente proprietário da empresa de apostas mencionada.
Participação conhecida na SAF era de 20,2%
A ligação de Vorcaro com o Atlético-MG, por outro lado, era pública. Entre 2023 e 2024, ele investiu cerca de R$ 300 milhões por meio do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, estrutura que chegou a deter aproximadamente 20,2% das ações da SAF.
Esse percentual não corresponde aos 25% mencionados na mensagem. A diferença pode resultar de erro do interlocutor, arredondamento informal ou desconhecimento da estrutura acionária real.
Em maio de 2026, o Conselho do Atlético-MG aprovou um aporte de R$ 530 milhões que alterou novamente a composição societária. Segundo o ge, o movimento ampliou a participação da família Menin e diluiu as demais posições. O grupo formado por Galo Forte FIP, Ricardo Guimarães e FIGA passou a representar 6,5% após a operação.
Atlético afirma não participar da gestão dos fundos
Em manifestações anteriores, o Atlético-MG informou que não participa da gestão de fundos utilizados por seus investidores e que os aportes na SAF seguiram os procedimentos de governança previstos. O clube também afastou Vorcaro de seu Conselho de Administração depois que o empresário passou a enfrentar investigações.
A participação societária de um investidor e eventuais suspeitas sobre a origem de recursos são questões distintas. O clube não foi apontado como responsável pelos fatos investigados envolvendo o Banco Master.
O HD Fato acompanha o caso Master em reportagem sobre as mensagens apreendidas com Vorcaro e a pressão sobre instituições.
Mensagens exigem confirmação documental
A conversa reforça a necessidade de distinguir aquilo que uma pessoa afirma em uma mensagem daquilo que documentos societários demonstram. No caso da SAF, os percentuais públicos permitem corrigir a referência feita pelo interlocutor. Já a alegação sobre participação em empresa do setor de apostas permanece sem comprovação documental pública no material divulgado.
Novos documentos ou esclarecimentos dos envolvidos poderão alterar esse quadro e deverão ser incorporados à cobertura.
Fontes
- VEJA — edição de 11 de setembro de 2026, reportagem sobre mensagens atribuídas a interlocutores de Vorcaro.
- ge — aporte de R$ 530 milhões e diluição da participação de Vorcaro na SAF
- Atlético-MG — nota oficial sobre governança e relação com fundos de investimento



