Cobrança em entrevista à rádio
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (8) que informações relevantes das investigações relacionadas ao Banco Master sejam conhecidas antes das eleições de outubro. Em entrevista à rádio NovaBrasil, o ex-ministro da Fazenda questionou a manutenção do sigilo no inquérito conhecido como Dark Horse, que examina o financiamento de uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Haddad afirmou ser favorável ao esclarecimento dos fatos antes da votação e disse que uma divulgação posterior poderia chegar tarde para o eleitor. O candidato também cobrou tratamento equivalente para investigações que envolvam diferentes grupos políticos.
A manifestação ocorre em meio à crise no STF provocada por revelações sobre contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, além de disputas sobre a produção e a divulgação de relatórios da Polícia Federal. As suspeitas relacionadas aos diferentes investigados devem ser examinadas individualmente, sem presumir responsabilidade de quem aparece citado.
Por que o caso Dark Horse entrou no debate
O inquérito mencionado por Haddad trata de circunstâncias do financiamento do filme sobre o ex-presidente, incluindo informações que relacionam Vorcaro à produção. Reportagens publicadas nos últimos dias também examinaram contatos com integrantes do entorno político de Bolsonaro. A existência de contatos ou transferências, isoladamente, não comprova participação em irregularidades.
O candidato questiona por que parte desses dados permanece sob sigilo enquanto outros documentos do caso Master foram tornados públicos. A cobrança se insere em uma disputa eleitoral, mas a decisão de divulgar informações cabe às autoridades competentes, observadas as regras de proteção de dados, o sigilo necessário às investigações e os direitos das pessoas envolvidas.
Posição já havia sido defendida
A defesa de maior publicidade não começou nesta terça-feira. Em 2 de setembro, durante agenda em Santos, Haddad já havia criticado o que considerava tratamento seletivo das informações e pedido que as investigações alcançassem todos os possíveis envolvidos. A nova entrevista reforça essa posição diante da proximidade da eleição.
Segundo a Folha, integrantes da campanha de Lula também defendem isonomia na divulgação de informações relacionadas ao Master e a outros procedimentos vinculados ao banqueiro. O debate envolve o equilíbrio entre transparência pública, preservação de provas e proteção de direitos fundamentais.
Até a checagem das fontes utilizadas nesta matéria, não havia confirmação de que a cobrança de Haddad tivesse resultado em uma nova decisão de levantamento de sigilo. O pedido político e a eventual determinação judicial são fatos distintos.


