Declaração do senador
O senador Sergio Moro (PL-PR), candidato ao governo do Paraná, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoiou a decisão do ministro André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. As declarações foram dadas ao Metrópoles nesta terça-feira (8).
Moro afirmou que Lula foi omisso diante da crise e que Mendonça “não teve alternativa” ao determinar o afastamento. O senador classificou a medida como acertada e corajosa e disse que defendia a saída de Andrei desde a semana anterior, após a divulgação de relatórios de inteligência utilizados no conflito entre ministros do STF.
A manifestação expressa a avaliação do parlamentar. Ela não constitui prova de irregularidade por parte de Lula, de Andrei ou de outros envolvidos, nem resolve a discussão jurídica sobre a medida cautelar.
Os argumentos em disputa
Mendonça sustenta que o afastamento é necessário para preservar apurações sobre a produção e o uso de relatórios de inteligência da PF que considera irregulares. A decisão também atingiu Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial, e determinou providências de apuração pela Corregedoria da corporação.
Em sentido contrário, a Advocacia-Geral da União argumenta que a medida interfere na prerrogativa presidencial de nomear e exonerar dirigentes da PF e pode prejudicar a continuidade administrativa. O órgão pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspensão urgente do afastamento.
A Segunda Turma registrou três votos favoráveis à manutenção da decisão, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes. A existência de maioria parcial não deve ser confundida com a conclusão do processo.
Crise institucional e campanha
Moro foi ministro da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro e deixou o cargo em 2020 após divergências sobre a condução da Polícia Federal. A experiência anterior no comando político da área de segurança integra o contexto de suas declarações atuais, mas não determina a validade dos argumentos apresentados por qualquer das partes.
A crise ocorre durante a campanha eleitoral e tem provocado reações de candidatos e integrantes do governo e da oposição. Para a cobertura jornalística, é necessário distinguir a manifestação de um político, as alegações presentes em decisões judiciais e o resultado efetivo dos procedimentos.
Até a última checagem das fontes deste texto, não havia confirmação de decisão definitiva sobre a responsabilidade dos dirigentes afastados. A situação poderá mudar com a análise do recurso da AGU ou com a retomada do julgamento no Supremo.


