Pobreza e desigualdade são os problemas mais citados pelos brasileiros quando perguntados sobre os principais desafios enfrentados pelos jovens. No Education Monitor 2026, da Ipsos, os dois fatores receberam 43% das menções no país, ante média de 29% entre os 31 países pesquisados. O levantamento foi repercutido pela VEJA em 8 de setembro e havia sido divulgado internacionalmente no fim de agosto.
Brasil e mundo apresentam prioridades diferentes
A pesquisa ouviu 23.537 adultos entre 19 de junho e 3 de julho de 2026. No Brasil, a baixa qualidade da educação aparece entre as preocupações de 33% dos entrevistados, enquanto 32% mencionam desafios de saúde mental. No conjunto internacional, a saúde mental ocupa a primeira posição. Os números refletem percepções dos entrevistados, não uma medição direta da incidência de cada problema.
O contraste ajuda a identificar prioridades sociais distintas. Questões como renda, acesso a serviços e oportunidades educacionais podem ter importância diferente conforme o contexto de cada país. Os dados não permitem concluir que uma preocupação seja irrelevante apenas porque aparece atrás de outra no levantamento.
Confiança na educação e valor do diploma
Entre os brasileiros, 32% classificam a qualidade do sistema educacional como boa, enquanto 43% a consideram ruim, segundo o recorte apresentado pela VEJA. Outros 22% avaliam a educação como nem boa nem ruim. A pesquisa registra também que 70% acreditam que um diploma universitário ajuda a avançar na carreira, mas apenas 48% veem boa relação entre custo e benefício da formação superior.
O resultado expõe uma diferença entre reconhecer o valor da universidade e considerar seu acesso economicamente vantajoso. A existência de um diploma não elimina, por si só, obstáculos ligados à renda, à qualidade do ensino anterior ou às condições de entrada no mercado de trabalho.
Redes sociais, IA e limites da pesquisa
O estudo também investigou opiniões sobre tecnologia. No Brasil, 67% apoiam proibir redes sociais para menores de 14 anos, enquanto 30% defendem proibir ferramentas de inteligência artificial nas escolas. Outros 42% são contrários a essa proibição de IA e 28% não têm posição definida. As respostas mostram que os entrevistados diferenciam riscos associados às redes sociais de possíveis usos educacionais da inteligência artificial.
A amostra brasileira reúne aproximadamente mil participantes, de 16 a 74 anos, entrevistados por plataforma on-line. A margem de erro informada é de 3,5 pontos percentuais. Portanto, o estudo representa opiniões coletadas nesse desenho metodológico e não deve ser apresentado como uma pesquisa feita exclusivamente com adolescentes ou como diagnóstico individual de saúde e aprendizagem.


