Reino Unido reage a Milei e diz que compromisso com as Malvinas é ‘inabalável’

Londres responde após presidente argentino anunciar sanções ligadas à exploração de petróleo; declarações de Trump aumentam a tensão sobre o arquipélago.

O governo britânico reagiu nesta sexta-feira (4) à nova ofensiva política de Javier Milei sobre as Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelo Reino Unido. O ministro da Defesa, Wes Streeting, afirmou que o compromisso de Londres com o arquipélago é “absoluto e inabalável” e disse que os moradores das ilhas escolheram permanecer britânicos.

A resposta veio depois de Milei usar um pronunciamento em rede nacional para reafirmar a soberania argentina sobre as ilhas e anunciar medidas contra empresas envolvidas na exploração de petróleo na região.

Milei endurece o discurso por causa do petróleo

O foco imediato da nova crise é o projeto Sea Lion, campo de petróleo localizado ao norte das ilhas e operado pela israelense Navitas Petroleum, com participação da britânica Rockhopper Exploration.

Milei afirmou que a exploração sem autorização de Buenos Aires viola a soberania argentina. Seu governo anunciou um decreto e o envio de um projeto ao Congresso para ampliar sanções contra empresas, fornecedores e outros agentes ligados a atividades que a Argentina considera ilegais no território disputado.

Qual é a situação das ilhas hoje? O arquipélago é administrado pelo Reino Unido como território britânico ultramarino. A Argentina reivindica sua soberania e chama as ilhas de Malvinas. Em 2013, os moradores votaram de forma esmagadora por manter o vínculo com o Reino Unido.

Trump colocou pressão extra sobre Londres

A tensão aumentou depois de Donald Trump dizer que os Estados Unidos estão revendo sua posição sobre a disputa. Washington tradicionalmente reconhece a administração britânica das ilhas, mas mantém uma posição formalmente neutra sobre a soberania.

Segundo a Reuters, uma eventual mudança de postura sobre as Falklands apareceu entre opções discutidas pelo Pentágono para pressionar aliados da Otan que, na avaliação americana, não apoiaram operações dos Estados Unidos na guerra com o Irã.

Em entrevista nesta semana, Trump também criticou o Reino Unido por não ter ajudado os Estados Unidos no conflito e colocou em dúvida a capacidade britânica de defender novamente as ilhas em uma eventual crise.

Um cuidado importante: há relação documentada entre a pressão americana, o conflito com o Irã e a discussão sobre a posição dos EUA nas Falklands. Mas classificar isso como “vingança pessoal” de Trump vai além do que as fontes confirmam. O que está documentado é o uso do tema como instrumento de pressão política sobre Londres.

Londres rejeita qualquer mudança de soberania

Além de Streeting, o chanceler britânico Ed Miliband afirmou que a posição do Reino Unido permanece inalterada e que a autodeterminação dos moradores das ilhas será defendida.

Milei, por sua vez, disse que vê “ventos de mudança” favoráveis à reivindicação argentina e usou as declarações de Trump como sinal de que o cenário diplomático pode estar mudando.

A disputa pelas Malvinas voltou, assim, a ganhar peso ao mesmo tempo em três frentes: soberania, exploração de petróleo e relação entre Washington e Londres.

O que acontece agora

As medidas anunciadas por Milei ainda precisam avançar na legislação argentina. As empresas envolvidas no Sea Lion afirmam possuir licenças válidas emitidas pelas autoridades das ilhas e dizem que, até o momento, não esperam alteração relevante no cronograma do projeto.

O Reino Unido também não sinalizou qualquer abertura para negociar soberania. Com isso, a tendência imediata é de aumento da disputa diplomática e jurídica, principalmente em torno da exploração de petróleo no Atlântico Sul.