Daniel Vorcaro pretende apresentar uma nova proposta de delação premiada e sinalizou a pessoas próximas que não deve fazer acusações contra o ministro Alexandre de Moraes nessa tentativa, segundo apuração publicada pela CNN Brasil nesta sexta-feira (4).
De acordo com a reportagem, a linha preparada pelo ex-dono do Banco Master deve manter a versão de que ele tinha uma relação pessoal com Moraes e uma relação comercial com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Isso não significa que já exista um acordo fechado. Até agora, a nova colaboração não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República.
O que Vorcaro estaria disposto a dizer
A CNN afirma que Vorcaro sinalizou a interlocutores que pretende preservar Moraes de acusações na próxima proposta. A avaliação em seu entorno seria de que a divulgação do relatório da PF, que expôs mensagens e contatos atribuídos aos dois, prejudicou sua estratégia de negociar benefícios em troca de informações.
Entre os objetivos do ex-banqueiro estaria a possibilidade de deixar a prisão e aguardar o julgamento em regime domiciliar. Esse tipo de benefício, porém, depende de negociação com as autoridades e de homologação judicial.
As tentativas anteriores não avançaram
Vorcaro já manifestou mais de uma vez interesse em colaborar. Em depoimento à Polícia Federal no fim de agosto, sua defesa voltou a afirmar que ele estava disposto a prestar esclarecimentos mais amplos.
Segundo a Agência Brasil, propostas anteriores foram rejeitadas porque os investigadores entenderam que o ex-banqueiro não apresentou novidades suficientes em relação ao material já apreendido e não assumiu participação em crimes.
Nesta sexta-feira, a CNN também publicou que Vorcaro disse à PF ter “muitos temas a revelar”, inclusive assuntos que, segundo ele, ainda não entraram formalmente nas investigações.
Moraes não foi citado em depoimento ao gabinete de Mendonça, diz STF
Outro dado ajuda a separar o que já está documentado do que ainda está em negociação. O gabinete de André Mendonça confirmou que Vorcaro foi ouvido por um juiz auxiliar após alegar intimidações, mas afirmou que o depoimento não tratou de Alexandre de Moraes.
A audiência ocorreu com representante do Ministério Público e sem a presença da equipe da PF responsável pela investigação. Mendonça justificou o procedimento com base no relato de ameaça feito por Vorcaro.
O próximo passo
Vorcaro segue preso e tenta abrir uma nova rodada de negociação com PF e PGR. Para que a colaboração avance, as informações apresentadas terão de ser consideradas relevantes, verificáveis e úteis para as investigações.
Enquanto isso, o relatório sobre as mensagens encontradas em seu celular continua sendo analisado no Supremo e já provocou pedidos de esclarecimento envolvendo Moraes, André Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A nova tentativa de colaboração surge depois que mensagens atribuídas a Vorcaro ampliaram a pressão sobre STF e PGR e enquanto Fachin analisa os desdobramentos institucionais do relatório da PF.


