O empresário Fernando Sarney negou ter proposto uma delação premiada a Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora ligada ao filme Dark Horse. A negativa foi dada depois que a Polícia Federal apreendeu um documento em que Karina apresenta uma versão diferente e afirma ter sido procurada por ele em maio.
Sarney diz que não conhece a produtora
Em resposta à VEJA, Fernando Sarney afirmou que não conhece Karina Gama e que nunca tratou de qualquer assunto com ela. O empresário também rejeitou a afirmação de que teria se apresentado como alguém próximo ao ministro Flávio Dino para oferecer apoio em eventual negociação jurídica.
A manifestação ocorreu depois da divulgação do conteúdo de um documento de quatro páginas encontrado pela PF durante buscas. Nesse texto, Karina afirma que recebeu o primeiro contato de Sarney em 20 de maio e que a conversa teria ocorrido dois dias depois.
Segundo a versão registrada por ela, Sarney teria mencionado proximidade com Dino e possibilidade de auxílio caso tivesse interesse em uma delação. O documento não traz comprovação independente dessa conversa.
Karina afasta conhecimento de Dino sobre suposta abordagem
Na própria declaração, Karina ressalva que a referência à proximidade com Flávio Dino teria partido de Sarney e que ela não presenciou qualquer conversa entre os dois. Também afirma não possuir elementos para dizer que o ministro tivesse conhecimento ou participação no contato que relata.
Essa ressalva é relevante porque impede que a declaração seja apresentada como evidência de atuação de Dino. A investigação deverá avaliar se os contatos descritos podem ser confirmados por registros telefônicos, mensagens ou outros elementos.
O caso faz parte de uma sequência de apurações envolvendo Dark Horse. O HD Fato acompanha também a delação homologada por André Mendonça em outra frente ligada ao financiamento do filme.
PF ainda analisa material apreendido
O documento foi localizado em buscas que fazem parte das investigações sobre recursos e movimentações relacionados à produção. A apreensão não torna verdadeiras automaticamente as afirmações nele registradas, assim como a negativa de um citado não encerra a necessidade de verificação.
Novos documentos, depoimentos ou perícias poderão esclarecer se houve contato entre os dois e em que circunstâncias.


