A Polícia Federal identificou transferências que somam R$ 645,4 mil do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Os repasses ocorreram em menos de dois meses, entre novembro e dezembro de 2025, e passaram a ser analisados pelos investigadores.
Transferências ocorreram durante período das filmagens
Segundo a investigação citada pela VEJA e pela Itatiaia, as movimentações ocorreram entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período que coincide com a produção do filme. O valor total foi identificado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações da Go Up.
A PF destacou que a remuneração mensal de Frias na Câmara era de aproximadamente R$ 44 mil e afirmou que o volume transferido em menos de 60 dias levanta questionamentos sobre o suporte financeiro dos pagamentos. Na declaração eleitoral de 2026, o parlamentar informou patrimônio de cerca de R$ 1,35 milhão.
Esses dados levaram os investigadores a aprofundar a análise da origem e do destino dos recursos. Não há, porém, conclusão pública de que o dinheiro transferido pelo deputado tenha origem criminosa.
Go Up está no centro de apuração sobre recursos do filme
A produtora é comandada por Karina Gama e aparece em diferentes frentes relacionadas ao financiamento de Dark Horse. A PF apura possíveis conexões entre movimentações privadas e recursos de emendas destinados ao Instituto Conhecer Brasil, também associado a Karina.
O HD Fato já acompanhou a homologação de uma colaboração premiada em outra frente do caso. É importante separar as diferentes investigações, porque fatos e decisões envolvendo o filme tramitam em procedimentos distintos.
Relatórios do Coaf têm escopos diferentes
A VEJA informa que os R$ 645,4 mil apareceram em um relatório sobre a movimentação da Go Up. Outro relatório referente diretamente a Frias apontou movimentações de aproximadamente R$ 882,5 mil ao longo de um ano, mas não registrou aqueles mesmos repasses.
A diferença entre relatórios pode decorrer do objeto, período ou critérios de cada análise e será um dos pontos a serem examinados na investigação.
As defesas dos envolvidos poderão apresentar documentação sobre a origem dos valores e a finalidade dos pagamentos. Esses elementos devem ser considerados antes de qualquer conclusão sobre as transferências.


