Documento apreendido pela PF registra relato de Karina Gama sobre pressões por delação

Produtora de 'Dark Horse' afirma em declaração juramentada ter sido incentivada por três interlocutores a avaliar colaboração premiada; documento não apresenta provas das alegações.

Um documento apreendido pela Polícia Federal durante buscas relacionadas ao filme Dark Horse registra a versão da empresária Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, de que teria recebido abordagens para considerar um acordo de colaboração premiada. O texto, segundo a VEJA, é uma declaração juramentada, mas não apresenta provas das alegações.

Karina relata três abordagens

No documento, Karina afirma ter sido procurada em momentos diferentes por três pessoas: o empresário Fernando Sarney, um pastor que ela descreve como amigo de longa data e um jornalista. Segundo sua versão, os contatos mencionaram a possibilidade de uma delação premiada diante das investigações sobre o financiamento e os recursos associados à produção do filme.

A empresária sustenta que não viu motivo para celebrar acordo e que pretendia responder às apurações por meio de documentos e do exercício da defesa. Ela também registra receio de que pudesse ser alvo de medidas policiais caso não colaborasse.

A narrativa foi encontrada no mesmo contexto em que a PF apura possíveis irregularidades envolvendo o projeto. O HD Fato já publicou que André Mendonça homologou uma delação relacionada a outra frente do caso Dark Horse. Os procedimentos e personagens não devem ser tratados como se fossem uma única investigação.

Documento cita Fernando Sarney, que nega o relato

Karina afirma no documento que Fernando Sarney teria entrado em contato em maio e mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino. A própria empresária acrescenta que não presenciou conversas entre Sarney e Dino e que não tem elementos próprios para dizer que o ministro soubesse ou participasse da suposta abordagem.

Fernando Sarney negou a versão. Disse à VEJA que não conhece Karina Gama, nunca teve contato com ela e não propôs colaboração premiada. A negativa cria versões diretamente conflitantes que dependem de eventual verificação por registros, testemunhos ou outros elementos objetivos.

Buscas não equivalem a conclusão de culpa

A apreensão do documento ocorreu durante diligências da PF sobre possíveis desvios e movimentações financeiras relacionadas ao filme. Medidas de busca têm função de coleta de provas e não significam condenação dos alvos.

O avanço da investigação deverá mostrar se há registros que confirmem ou contradigam os contatos descritos. Eventuais novas manifestações das partes devem ser incorporadas à cobertura.

Fontes