A mineradora canadense Aclara Resources firmou acordo com a Japan Organization for Metals and Energy Security (Jogmec), agência estatal japonesa, para explorar e desenvolver depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil. Anunciada em 7 de setembro e noticiada nesta terça-feira, 8, a parceria prevê financiamento potencial de até US$ 4,5 milhões e a possibilidade de a organização japonesa adquirir 30% de participação em um projeto.
Como funciona o acordo
A Jogmec financiará inicialmente até US$ 3 milhões em trabalhos de exploração durante três anos. Se determinadas condições forem cumpridas, poderá aportar mais US$ 1,5 milhão e ampliar o período por mais um ano. Depois de cumprir os compromissos de investimento, terá a opção de adquirir uma participação de 30% em um dos projetos identificados ou desenvolvidos pela parceria.
O acordo será estruturado por meio de uma nova subsidiária brasileira da Aclara. A empresa informou que o Projeto Carina, em Goiás, não fará parte da joint venture e continuará integralmente sob seu controle. A parceria, portanto, não significa venda de 30% de todos os ativos brasileiros da mineradora.
Por que o Japão busca minerais brasileiros
Terras raras são usadas em cadeias industriais de alta tecnologia, incluindo ímãs, eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos de energia. O interesse japonês faz parte da busca por fornecedores diversificados e por maior segurança no acesso a matérias-primas estratégicas.
O contrato também estabelece direitos de compra sobre parte da produção futura, em condições comerciais de mercado. Essa estrutura pode aproximar financiamento mineral e demanda industrial, mas a exploração ainda precisa demonstrar viabilidade técnica, econômica e ambiental antes de uma eventual produção comercial.
O contexto da mineração brasileira
O movimento ocorre em meio à ampliação do interesse estrangeiro por minerais críticos no país. O HD Fato já noticiou a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth. Os projetos são distintos e não devem ser tratados como uma única operação.
A expansão da atividade também envolve licenciamento, fiscalização e impactos locais. Em outra frente, o portal acompanhou a disputa judicial sobre licenças de uma mina da Sigma Lithium em Minas Gerais, caso independente da parceria Aclara/Jogmec.
Fontes e referências
Esta reportagem foi elaborada com base nas fontes abaixo, consultadas para a cobertura de 8 de setembro de 2026.

