Quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos utiliza inteligência artificial ao menos uma vez por semana para estudar. O percentual de 47,8% aparece nos resultados do Pisa 2025, divulgados nesta terça-feira, 8 de setembro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A média informada para os países da organização é de 45,5%.
O dado mostra a presença da tecnologia na rotina escolar, mas não significa que todos os alunos a utilizem da mesma maneira. O levantamento também investiga como os estudantes aprendem a avaliar conteúdos produzidos por ferramentas digitais e como esse ambiente se relaciona com a aprendizagem.
Uso de IA não equivale a aprendizagem
Segundo o recorte divulgado pela VEJA, 51,2% dos estudantes brasileiros relatam aprender em aula a avaliar informações geradas por inteligência artificial. A distinção é importante: utilizar uma ferramenta para buscar respostas não demonstra, por si só, capacidade de verificar fontes, reconhecer erros ou compreender o conteúdo.
A escola enfrenta o desafio de incorporar novas tecnologias sem substituir o raciocínio, a leitura e a produção própria dos estudantes. A avaliação crítica de informações, a transparência sobre o uso de ferramentas e a orientação dos professores são dimensões diferentes do simples acesso a aplicativos.
O que o Pisa mostra sobre o desempenho
A edição de 2025 reuniu mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias, com foco principal em Ciências. Pela primeira vez, o exame também avaliou a resolução de problemas em ambientes digitais. A OCDE informou que o desempenho médio em Matemática e Leitura caiu novamente no conjunto dos países participantes, chegando a níveis historicamente baixos.
No Brasil, o quadro continua marcado por dificuldades persistentes de aprendizagem. O relatório nacional permite analisar resultados em Ciências, Leitura e Matemática, além de desigualdades e condições de ensino. O avanço do uso de IA, portanto, não deve ser confundido com uma melhora comprovada das notas.
Tecnologia, regras e formação crítica
O levantamento também examina restrições a celulares e outras políticas digitais nas escolas. A presença de regras não elimina a necessidade de ensinar como pesquisar, verificar conteúdos e usar recursos tecnológicos com responsabilidade.
O tema se conecta a outras discussões sobre informação digital. O HD Fato já abordou um estudo sobre perfis criados por IA para influenciar usuários nas redes. Embora seja um assunto diferente, ele reforça a importância de compreender a origem e a confiabilidade das informações.
Fontes e referências
Esta reportagem foi elaborada com base nas fontes abaixo, consultadas para a cobertura de 8 de setembro de 2026.


