Flávio Bolsonaro é investigado no STF no caso ‘Dark Horse’

Inquérito foi autorizado por André Mendonça em julho e apura financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro; condição de investigado ficou pública após retirada parcial de sigilo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura a origem e o destino de recursos ligados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A inclusão do parlamentar na investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em julho, mas o dado ganhou publicidade agora com a retirada parcial do sigilo de procedimentos relacionados ao caso Banco Master.

Investigação foi autorizada em julho

O inquérito foi aberto após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração busca esclarecer como foram obtidos e movimentados recursos destinados à produção de Dark Horse.

Segundo a Folha de S.Paulo, a autorização de Mendonça ocorreu em 22 de julho. Na época, já havia informações de que Flávio Bolsonaro havia procurado o então banqueiro Daniel Vorcaro para buscar financiamento privado para o longa.

Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aparece em diferentes frentes de investigação envolvendo movimentações financeiras e relações com agentes públicos. No caso do filme, investigadores analisam transferências e estruturas financeiras utilizadas para levar recursos à produção.

Flávio nega irregularidades no financiamento

Flávio Bolsonaro afirma que não houve desvio de recursos públicos e que o financiamento do filme ocorreu com dinheiro privado. A existência de um inquérito não significa que o senador tenha cometido os crimes investigados.

A Polícia Federal apura hipóteses que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Essas classificações indicam as linhas jurídicas sob análise e não equivalem a acusação definitiva ou condenação.

Inquérito envolve repasses ligados a Vorcaro

A investigação analisa operações financeiras relacionadas ao projeto do filme e a pessoas próximas à família Bolsonaro. A Agência Brasil informou que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, teve uma colaboração premiada homologada por Mendonça no âmbito das apurações sobre os repasses.

Freixo Júnior é apontado como responsável por transferências destinadas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo aparece associado a estruturas financeiras utilizadas para movimentar recursos ligados ao projeto.

O HD Fato já acompanha esse braço do caso em matéria sobre a homologação da delação relacionada ao financiamento de Dark Horse.

Dino conduz outra investigação sobre o mesmo filme

O financiamento de Dark Horse também aparece em uma segunda investigação, conduzida pelo ministro Flávio Dino. Essa frente tem foco diferente: apura possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares e contratos ligados a entidades e empresas associadas à produção.

Por isso, é importante não tratar os dois procedimentos como uma única investigação. Mendonça analisa o braço relacionado ao financiamento privado e a movimentações ligadas a Vorcaro; Dino conduz a apuração relacionada a emendas e possíveis desvios de recursos públicos.

O HD Fato também publicou a decisão que retirou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso Master, medida que ampliou o acesso a documentos e permitiu conhecer novos detalhes das investigações.

Retirada de sigilo trouxe o nome de Flávio ao centro do caso

A publicidade de parte dos autos nesta semana tornou formalmente visível que Flávio Bolsonaro integra o rol de investigados. O inquérito, porém, continua com partes protegidas por sigilo por envolver diligências ainda em andamento.

Os próximos passos dependem da análise de documentos, depoimentos, movimentações financeiras e eventuais provas obtidas pela Polícia Federal. Qualquer responsabilização dependerá do resultado da investigação e de decisões posteriores do Ministério Público e do Judiciário.

Fontes