O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, passou a ser cobrado por uma atuação mais ativa na crise que colocou a Polícia Federal e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em confronto. Relatos de bastidor apontam insatisfação com a capacidade de interlocução da pasta em um momento de forte pressão sobre a direção da PF.
Crise expôs dificuldade de mediação
A tensão aumentou depois que André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. As medidas foram contestadas pelo governo e posteriormente suspensas pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Segundo a Reuters, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que falta uma ponte política mais eficiente entre o governo, o Supremo e a Polícia Federal. Uma das fontes afirmou que ministros levaram esse incômodo ao presidente Lula.
Wellington César havia participado de conversas anteriores com Mendonça e com a cúpula do governo para tentar reduzir atritos, mas manteve um perfil público reservado durante a escalada mais recente.
Ministro passou a defender publicamente a autonomia da PF
Após as críticas à postura discreta, Wellington divulgou manifestação em defesa da autonomia da corporação. Ele afirmou que a Polícia Federal continua trabalhando e que as investigações devem avançar sem interferência, além de manifestar confiança de que o STF encontrará solução institucional para os conflitos.
A fala buscou mostrar apoio à PF sem transformar o Ministério da Justiça em parte direta da disputa entre os ministros do Supremo.
Lula cobra transparência e fim de vazamentos seletivos
O presidente também passou a falar publicamente sobre a crise. Lula defendeu abertura das investigações e afirmou que autoridades devem responder caso sejam comprovadas irregularidades. Ele criticou vazamentos seletivos e disse que a apuração precisa alcançar qualquer envolvido.
O HD Fato já publicou a posição de Lula de que não deve haver blindagem no caso Master e acompanha a disputa entre STF, PF e governo.
A reorganização promovida por Fachin reduziu parte da tensão imediata, mas a sessão extraordinária de 15 de setembro deverá definir os próximos passos da crise e, com isso, o espaço de atuação do Ministério da Justiça.



