PF suspeita que projeto social tenha servido para disfarçar pagamento a ex-chefe do BC no caso Master

Investigadores analisam contratos ligados a estudo sobre jovens no mercado financeiro; ex-servidor e Daniel Vorcaro negam que os pagamentos tenham sido propina.

A Polícia Federal apura se contratos apresentados como estudos e ações sociais ligados à inclusão de jovens no mercado financeiro foram usados para disfarçar pagamentos ao ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central Belline Santana, no contexto das investigações sobre o Banco Master.

Investigação analisa contratos ligados a projeto para jovens

A apuração já havia identificado pagamentos relacionados a estudos sobre inserção de jovens no mercado financeiro e a um projeto chamado “Jovens Potentes”. Segundo reportagens anteriores, um dos contratos previa complementar o estudo e realizar palestras voltadas à promoção de oportunidades para jovens.

Em depoimento, Santana afirmou que participou da implementação do projeto e da sensibilização de empresas. A defesa também sustenta que houve entregas concretas, como identidade visual, perfis em redes sociais e atividades de divulgação, e nega que tenha existido favorecimento ao Banco Master.

A investigação, por outro lado, questiona a proporcionalidade dos valores pagos e busca esclarecer se os contratos tinham substância econômica suficiente ou se foram usados para dar aparência formal a repasses indevidos.

Vorcaro confirmou apoio financeiro, mas negou propina

Daniel Vorcaro reconheceu à Polícia Federal que destinou recursos a uma iniciativa social associada a Belline Santana, mas negou que o objetivo tenha sido obter vantagens no Banco Central. Em depoimento, o ex-banqueiro afirmou que a proposta tinha como foco ampliar a presença de jovens negros em posições de liderança no mercado financeiro.

Segundo o relato de Vorcaro, a execução teria sido repassada a seu cunhado, Fabiano Zettel. Questionado sobre o valor, ele disse não se lembrar com precisão se o aporte era de R$ 2 milhões ou R$ 4 milhões.

A Polícia Federal também apresentou mensagens e outros elementos para confrontar a versão do ex-banqueiro. A investigação busca saber se os pagamentos coincidiram com atuação de servidores do Banco Central em temas de interesse do Master.

Caso integra apuração mais ampla sobre relações do Master

O episódio faz parte de uma investigação mais ampla sobre a rede de relações construída pelo Banco Master com agentes públicos e privados. O HD Fato acompanha os desdobramentos em cobertura sobre o relatório da PF e a análise do caso pelo STF.

A próxima etapa depende da análise dos contratos, dos registros financeiros e dos depoimentos reunidos pelos investigadores. Eventuais conclusões sobre corrupção ou lavagem de dinheiro dependerão de prova produzida no inquérito e de posterior avaliação do Ministério Público e da Justiça.

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