PF mapeia 22 perfis em investigação sobre campanha de reputação pró-Vorcaro

Relatório analisa contas que publicaram conteúdos sobre o Banco Master e possíveis vínculos com agências; inclusão no levantamento não comprova contratação ou irregularidade.

A Polícia Federal mapeou 22 perfis de redes sociais em uma investigação sobre uma possível campanha de gerenciamento de reputação em favor de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O relatório foi tornado público após a retirada parcial do sigilo de procedimentos relacionados ao caso.

PF apura projeto de gestão de reputação

Segundo o relatório citado pela Band, investigadores identificaram um projeto de comunicação voltado a melhorar a imagem de Vorcaro e do Banco Master depois do agravamento da crise da instituição e das decisões do Banco Central.

A apuração descreve uma estratégia com dois eixos: responsabilizar o Banco Central pelas dificuldades enfrentadas pelo Master e apresentar o banco e seu controlador como vítimas de perseguição ou de decisões consideradas injustas.

Empresas e agências de comunicação teriam buscado influenciadores para produzir conteúdos alinhados a essa narrativa. A PF analisa postagens, possíveis contratos publicitários e intermediações feitas por agências para saber quais abordagens avançaram e se houve coordenação entre os perfis.

Influenciadores disseram ter recusado propostas

O UOL revelou que a agência UNLTD Network Brazil Ltda. pesquisou redes ligadas a Flávio Bolsonaro para localizar influenciadores de direita que pudessem participar da estratégia de comunicação.

O influenciador Rony de Assis Gabriel relatou ter sido procurado para um projeto descrito como de “gestão de reputação e crise” para Vorcaro. Segundo sua versão, ele recusou antes de discutir remuneração.

A jornalista Juliana Moreira Leite também afirmou ter recebido abordagem semelhante por redes sociais e aplicativo de mensagens, mas disse que não aceitou a proposta.

Investigação cita redes ligadas a agências de comunicação

A PF identificou possíveis conexões entre alguns dos perfis analisados e empresas de divulgação digital, entre elas agências citadas no relatório. O objetivo dos investigadores é saber se existiu uma estrutura organizada para distribuir mensagens semelhantes em diferentes contas.

O documento também relaciona a estratégia de comunicação a uma tentativa de aumentar a pressão institucional sobre o Banco Central e de estimular questionamentos no Tribunal de Contas da União sobre as decisões que atingiram o Master.

Esses elementos ainda estão sob investigação. O relatório não estabelece que todas as contas tenham recebido orientação direta de Vorcaro nem que todas as publicações tenham sido remuneradas.

Publicitário já foi alvo da PF em outra fase

A investigação sobre comunicação digital do Master não começou agora. Em julho, a Polícia Federal cumpriu busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, dono de uma agência que havia trabalhado para Vorcaro em uma estratégia de gestão de crise.

Miranda reconheceu ter intermediado a contratação de influenciadores para defender o Banco Master, mas negou que houvesse ordens para atacar diretores do Banco Central. A defesa dele também contesta suspeitas de irregularidade em sua atuação.

Reportagens anteriores mostraram que investigadores apuram ainda a preparação de dossiês e levantamentos sobre pessoas vistas como adversárias do ex-banqueiro. Esses fatos pertencem a frentes específicas da investigação e não devem ser automaticamente atribuídos aos 22 perfis mapeados.

Retirada de sigilo ampliou acesso aos documentos

O mapeamento passou a ser conhecido publicamente depois que André Mendonça retirou o sigilo de parte dos procedimentos ligados ao caso Master, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.

O HD Fato acompanha essa etapa em matéria sobre a abertura de 15 procedimentos relacionados ao Master e em cobertura sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e a pressão sobre instituições.

A eventual responsabilização de influenciadores, agências ou outros envolvidos dependerá da comprovação de contratos, pagamentos, ordens, conteúdos e da finalidade das ações investigadas.

Fontes