A disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça abriu uma nova divisão dentro do Supremo Tribunal Federal. Segundo a Folha de S.Paulo, ministros e interlocutores próximos a Mendonça avaliam que Moraes tenta ampliar a crise para o restante da Corte ao citar outros integrantes do STF no pedido de investigação contra o colega.
Essa ala interpreta a estratégia como uma tentativa de buscar apoio interno e reduzir o isolamento de Moraes diante das revelações do caso Banco Master. A avaliação é política e interna ao tribunal; não representa uma conclusão formal do STF.
Menções a outros ministros causaram incômodo
De acordo com a Folha, até aliados de Moraes demonstraram desconforto com referências a nomes como Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques no material usado contra Mendonça.
Moraes sustenta que Mendonça teria direcionado investigações por razões pessoais e políticas, inclusive contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O pedido foi apresentado depois que Moraes pediu apuração sobre a atuação de André Mendonça.
Fachin separou o caso do inquérito das fake news
O presidente do STF, Edson Fachin, já decidiu retirar o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e transferi-lo para um procedimento próprio.
Fachin também cobrou explicações de Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e do diretor-geral da PF sobre os desdobramentos do caso Master.
Relatórios usados contra Mendonça também são contestados
Parte da tensão interna envolve os relatórios de inteligência da Polícia Federal utilizados por Moraes. Os próprios documentos registram limitações e ausência de valor probatório por si só, e alguns integrantes do Judiciário criticaram o uso das peças para sustentar acusações contra Mendonça.
O HD Fato mostrou que os relatórios usados por Moraes trazem ressalvas sobre seu valor como prova.
A crise ainda não tem desfecho. Fachin tenta concentrar as diferentes acusações e respostas em procedimentos formais, enquanto as divisões dentro do Supremo ficam mais explícitas.


