O procurador-geral da República, Paulo Gonet, passou a enfrentar uma nova rodada de pressão pública por causa dos desdobramentos do caso Master. Nesta sexta-feira (4), o jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial defendendo que ele deixe o comando da Procuradoria-Geral da República.
O texto do jornal é opinativo e não representa uma decisão institucional. A crítica se apoia principalmente na forma como Gonet reagiu ao relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens e referências encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Por que Gonet entrou no centro da crise
Gonet pediu ao Supremo a anulação da apuração que resultou no relatório sobre autoridades. O argumento da PGR é que André Mendonça teria ultrapassado os limites de atuação de um ministro ao determinar diligências sobre pessoas com foro sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.
Ao mesmo tempo, o nome de Gonet aparece entre as autoridades citadas no material analisado pela PF. Esse ponto aumentou a cobrança para que sua atuação no caso seja examinada com cuidado.
Ex-PGR também defendeu afastamento do caso
Antes do editorial do Estadão, o ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles já havia defendido que Gonet se afastasse da condução do caso Master. Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo com conteúdo da BBC News Brasil, Fonteles afirmou que o atual chefe da PGR não deveria permanecer responsável pela análise do episódio enquanto seu próprio nome aparece no material sob discussão.
A posição de Fonteles é diferente de pedir a saída definitiva de Gonet do cargo. Ela se refere ao afastamento do caso específico.
Fachin pediu explicações
O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo para que Gonet, Alexandre de Moraes, André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos por escrito sobre os fatos relacionados ao relatório.
Fachin disse que precisa reunir as versões e examinar possíveis problemas de procedimento antes de decidir os próximos passos. Entre os pontos em análise está justamente a alegação da PGR de que houve vícios na produção do relatório.
Gonet segue normalmente no cargo. Ele foi reconduzido pelo Senado em novembro de 2025 e seu mandato atual vai até dezembro de 2027, segundo o Ministério Público Federal.
A pressão sobre Gonet aumentou após Fachin cobrar explicações sobre a atuação das autoridades no caso Master e em meio à repercussão das mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.


