A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação que investiga possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas a projetos ligados ao Instituto Conhecer Brasil, entidade associada à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável por empresas relacionadas ao projeto cinematográfico.
Operação foi autorizada por Flávio Dino
As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a analisar a frente relacionada às emendas parlamentares destinadas a entidades vinculadas ao projeto. Segundo a VEJA, a ação alcança dezenas de alvos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Reportagens de VEJA, UOL e Folha de S.Paulo informam que a operação é realizada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação apura a possível formação de um esquema envolvendo agentes públicos e privados, com suspeitas de direcionamento de recursos a empresas subcontratadas e movimentações financeiras de grande volume.
As medidas de busca e apreensão têm caráter investigativo. Elas não significam, por si só, que os alvos tenham cometido os crimes mencionados no inquérito.
Mario Frias já havia contestado suspeitas sobre as emendas
A relação entre as emendas e o filme vinha sendo examinada pelo STF desde maio. Em manifestação apresentada anteriormente à Corte, a defesa de Mario Frias pediu o arquivamento da apuração e negou que recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil tenham sido desviados para a produção cinematográfica.
Segundo a defesa, as verbas tinham finalidade definida para projetos de inclusão digital e empreendedorismo. A representação que levou o caso ao Supremo questionou justamente se os repasses a organizações ligadas à produtora de Dark Horse teriam sido usados de forma diferente da prevista.
PF investiga possível desvio de recursos públicos
De acordo com a cobertura publicada nesta quinta-feira, a PF apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a contratações públicas. As suspeitas ainda dependem da análise do material apreendido, de documentos financeiros e das manifestações das partes envolvidas.
A VEJA informou que, no momento da publicação de sua reportagem, a defesa dos alvos ainda não havia se manifestado sobre a operação desta quinta-feira. Eventuais posicionamentos posteriores devem ser incorporados à cobertura.
Investigação se conecta à crise recente na PF e no STF
O caso Dark Horse também apareceu no centro da disputa institucional envolvendo o comando da Polícia Federal. Na quarta-feira (9), Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues à direção-geral da corporação e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência, sustentando que o afastamento dos dois poderia prejudicar investigações sob sua relatoria.
O HD Fato acompanha esse desdobramento na matéria Dino determina reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada à PF.
Com a nova operação, a apuração sobre as emendas entra em uma fase de coleta de provas. O resultado das buscas e a eventual responsabilização dos investigados dependerão do avanço do inquérito e das decisões posteriores do Supremo.


