A Polícia Federal produziu, paralelamente às investigações sob relatoria de André Mendonça, relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal. O material tem cerca de 50 páginas e foi elaborado antes do confronto público entre Mendonça e Alexandre de Moraes no caso Master.
Segundo o Poder360, os documentos examinaram decisões de Mendonça nas operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Foram analisados prazos de decisões, critérios usados para autorizar medidas, relações institucionais e possíveis diferenças de tratamento entre investigados.
Relatórios já existiam antes da crise com Moraes
A produção do material antecedeu a decisão de 1º de setembro em que Mendonça retirou o sigilo de documentos com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e referências a Moraes.
Depois disso, Moraes afirmou ter tomado conhecimento dos relatórios e determinou que a PF os enviasse ao seu gabinete. O conteúdo passou a integrar a argumentação do pedido apresentado por Moraes para apurar a atuação de Mendonça.
Material analisa decisões e possíveis assimetrias
Os relatórios comparam o tempo de análise de pedidos envolvendo diferentes políticos e levantam hipóteses sobre possível variação no grau de exigência probatória. Também registram atritos entre Mendonça e integrantes da cúpula da PF.
As próprias peças fazem ressalvas sobre as conclusões: tratam-se de análises de inteligência produzidas em ambiente de informação incompleta e que precisam ser confirmadas por outros elementos.
A controvérsia já levou Edson Fachin a cobrar esclarecimentos das autoridades envolvidas. Nesta sexta-feira, o presidente do STF também retirou o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e determinou que o caso tramite em procedimento próprio.


