Relatório da PF sobre Mendonça também cita Messias e reacende disputa por vaga no STF

Documento usado por Moraes recomenda monitoramento da relação entre André Mendonça e Jorge Messias, mas reconhece baixo grau de confiança e ausência de valor probatório.

Um relatório de inteligência da Polícia Federal usado por Alexandre de Moraes no embate com André Mendonça também cita o advogado-geral da União, Jorge Messias, e recomenda “monitoramento e coleta dirigida” sobre a relação entre os dois.

O documento ganhou peso político porque Messias já foi indicado por Lula ao Supremo e teve o nome rejeitado pelo Senado em abril. Agora, a peça associa a proximidade entre Messias e Mendonça a uma possível mudança na correlação de forças dentro da Corte.

Documento fala em monitorar relação entre Mendonça e Messias

Segundo trechos divulgados pela imprensa, o relatório afirma que a relação de Messias com Mendonça elevaria a “percepção de risco” em torno de uma eventual nova indicação do advogado-geral ao STF.

A análise sustenta que Mendonça estaria tentando alterar o equilíbrio interno do tribunal e aponta a proximidade com Messias como elemento relevante para esse cenário. O próprio documento, porém, classifica essa avaliação com grau de confiança baixo.

Há uma ressalva central: o relatório afirma que é um documento de inteligência de circulação restrita, sem caráter decisório e sem valor probatório. A recomendação de monitoramento, portanto, não equivale a uma acusação formal contra Messias ou Mendonça.

Derrota de Messias no Senado já havia provocado divisão

Em abril, Messias foi rejeitado pelo Senado por 42 votos a 34. Na época, ministros e interlocutores do STF relataram à Folha de S.Paulo a percepção de que Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, haviam atuado politicamente contra a aprovação do indicado.

Segundo a reportagem, até magistrados considerados aliados de Moraes viram uma aproximação entre o ministro e Alcolumbre na reta final da votação. Moraes não confirmou ter trabalhado para derrotar Messias.

A indicação de Messias também enfrentou resistência de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho durante o processo no Senado. As notas taquigráficas da Casa registram a participação dos dois na sabatina e nas discussões sobre o nome escolhido por Lula.

Relatório reacende debate sobre nova indicação ao STF

A coluna de Malu Gaspar, em O Globo, interpreta o uso do relatório como parte de uma disputa política em torno de uma eventual nova tentativa de Lula de levar Messias ao Supremo. Essa é uma leitura jornalística e de bastidores, não uma conclusão formal de investigação.

O documento também aparece no mesmo conjunto usado por Moraes para pedir investigação sobre André Mendonça. O HD Fato já mostrou que os relatórios utilizados no pedido trazem ressalvas sobre seu valor como prova.

Além disso, a PF produziu relatórios paralelos sobre a atuação de Mendonça ao longo dos atritos entre o gabinete do ministro e a cúpula da corporação.

Messias contesta leitura feita sobre sua atuação

Em conversas relatadas pela imprensa, Messias afirmou a aliados que as referências a ele no relatório seriam uma reação da PF ao fato de a AGU não ter atendido pedido da corporação para contestar decisões de Mendonça.

Não há, até o momento, decisão judicial que atribua irregularidade a Messias por sua relação com Mendonça. A controvérsia está inserida na crise institucional mais ampla que envolve o caso Master, relatórios da PF e a disputa entre ministros do Supremo.